Na década de 80 houve uma iniciativa interessante encabeçada pelo CNPq e liderada por Gui Bonsiepe (um dos grande pensadores do design social no mundo) no qual eu vi o design ser usado em uma região que realmente carente de projetos e desenvolvimento social, até porque historicamente sempre foi deixada de lado pelo governo federal: o Nordeste Brasileiro.
Acredito que muito mais que simplesmente ajudar uma ou mais pessoas – design social se faz atingindo milhares. Bonsiepe conseguiu. Produziu conhecimento, projetos de tecnologia vernacular, publicou livros e levou a palavra DESIGN para todo o Brasil, que até entao não conhecia tal termo. Mas enfatizo: somente com a ajuda da Governo Federal e parceiros de pêso (iniciativa privada e terceiro setor), estas açoes funcionaram, sem elas o resultado nem sempre é o esperado. Design social se constrói com a parcerias e com o desejo de realmente melhorar a vida das pessoas. Sim, eu sei, trabalhar se um um pro-labore não é a melhor coisa, mas pense na felicidade das pessoas que vão usar seus projetos/produtos (e idéias) para sobreviver e serem felizes.
Um exemplo fantástico de design social aplicado é o The Hippo Water Roll leiam o projeto, e assistam os vídeos. Eles retraram exatamente o que falo sobre “o que realmente se ganha com design social”. Um dia desejo muito ser convidado a atuar/projetar para uma situação como esta. É muito inspirador ver o design ser usado para produzir produtos vernaculares, de baixo custo, funcionais e cultural e ecologicamente corretos para populações que nao tem as grandes industrias em seu contexto e nem produção seriada e muito menos profissionais de design para suprir necessidades básicas de populações. É nestes contextos que o design como ferramenta social é válido, é correto – projetar equipamentos/produtos/procedimentos que possam propriciar novas formas de obtençao de energia, produtos que ajudem a combater a seca (e ajudem a plantar), que ajudem nas atividades de pequenas comunidades ou população que estejam fugindo de guerra, seca, miséria e catastrófes naturais.
Contextualizando nossas grandes metropóles brasileiras: produtos que até possa salvar sem-tetos do frio das madrugadas em SP, RJ entre outros – isso para mim, é design social – projetos pelos quais o designer soluciona uma necessidade junto com os Governos, Federal ou Estadual – afim de atingir muitas pessoas, em muitos lugares. Observando-se as questões socias, culturais e tecnológicas de uma comunidade ou grupo de pessoas. Há muito o que fazer no Brasil! Fazer o bem, sem olhar a quem. Qualquer outra coisa, como assistencialismo, dar esmolas ou simplesmente fazer uma atividade social uma vez por mês – apesar de ser bastante louvável, para mim nao é design social, é caridade. As pessoas nao precisam de assistencialismo, precisam de oportunidades, de produtos, de tecnologias que possam fazê-la ter o seu proprio sustendo, ou seja, que elas sintam ter sua própria dignidade e cidadania nas mãos. Eis o foco do design social: ajudar as pessoas a terem cidadania, uma identidade. Pensar sobre isso é um dos grandes desafios, ter massa critica e reflexiva sobre o que nos cerca, é estar preparado(a) para os desfafios da profissao em todas suas facetas – todos os dias. Nao menos que isso.
Ler revistas bacanas, e pensar na Europa é o máximo – mas é preciso pé no chão, o Brasil precisa de pessoas que pensem nele, não somente os politicos, mas também nós, Designers – somos profissionais (e pessoas) capazes de alterar a realidade com projetos e criatividade, dando uma vida mais digna ás pessoas menos afoturnadas.
Pense nisso.

15:14 on novembro 16th, 2009
De fato, design socialmente orientado é diferente de assistencialismo, e acredito que é algo que deve ser levado em consideração em todo projeto, afinal ele é feito para a sociedade, certo? Portanto é social por natureza.
Todo projeto deve ser analisado quanto a seu impacto dentro da sociedade, se ele vai ser positivo ou negativo; se está suprindo ou criando uma necessidade; se há possibilidade ou não de envolver um grupo produtivo em uma das fases de execução, assim gerando renda.
Se todo designer considerar aspectos sociais (e ambientais) em seus projetos em seus projetos, teremos um design muito mais eficiente no mundo
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