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Bauhaus, Estética e Capitalismo.
30th set 2009 | Posted in: Artigos, Design 0
Bauhaus, Estética e Capitalismo.

Há 90 anos foi fundada na cidade de Weimar (Alemanha) a primeira escola de design que temos conhecimento: a Bauhaus. Tinha em seu quadro de professores os maiores artificies, arquitetos, pintores, escultores e artistas da Europa e talvez do mundo, naquele momento. Muitos autores acreditam que a Bauhaus é a maior prova de que o design também pode ser político (socialmente aplicado), apesar do design nascer de um movimento de integração da arte à indústria (Arts and Crafts).

A Bauhaus passou por esse momento político (1923 a 1930), ainda que passageiro, mostrando que a produção poderia ser racionalizada em função do baixo custo e massificação dos produtos no mercado de consumo. Foi um dos primeiros passos para o surgimento do pensamento racional que marca o design, enquanto ato projetual voltado a produção e competitividade. Este elemento foi decisivo para que o designer saísse da idealização artística para a realidade racional das indústrias que vendem produtos em larga/média escala. Esse momento político ficou enfatizado na segunda fase da Escola (1923-1930), sob a direção de Hannes Meyer (marxista assumido), caracterizada por uma maior preocupação social. Nesta fase, ocorreu a popularização da produção da escola, daí porque vários autores atribuem este procedimento à ideologia que Meyer seguia. Foi destituído em 1930 por Walter Gropius (Membro Conselheiro da Bauhaus). Com o fim da Bauhaus em 1933 pela perseguição nazista, seus profissionais migraram para América, onde fundaram novas escolas de design, que mais tarde estimularam o surgimento de outras escolas pelo mundo.

Após II guerra mundial, vemos o surgimento da “indústria de massa” para aquecer a economia mundial, na qual o design tornou-se um forte fator diferenciador para empresas. Ganha força o Styling Americano (corrente baseada na velocidade e aerodinâmica aplicada nos produtos), tendo em Raymond Loewy seu maior expoente. Lower cria produtos e conceitos que ainda perduram (o design interno de nossas geladeiras foi design projetado por ele!) é tido por alguns historiadores como percurso do “american way life”, o dito “estilo de vida americado” das décadas de 40, 50 e 60.  Alguns anos mais tarde é fundada a Escola de Ulm (Alemanha) dirigida por Max Bill, famosa por trazer o “cientificismo” para o design, fazendo-o assumir o status científico-produtivo-conceitual atual.

Também podemos nos arriscar em afirmar que a estética como elemento funcional, estimulou o fomento de capital e lucro nas empresas, fato incontestável nos dias de hoje. Com o design agregado à produção industrial, somando-se ao surgimento do marketing como ferramenta de gestão empresarial/estratégica nas empresas, o termo “indústria de massa” passa a ser aprofundado, e temos em seguida um novo termo: a segmentação de mercado.   A partir deste novo conceito, aliado ao avanço tecnológico das mídias e meios produtivos, mergulhamos profundamente no capitalismo no qual, muitas vezes, o design ainda é tratado com mero ornamento estético que orienta a venda dos produtos em mundo globalizado.

A história da Bauhaus é marcada por suas ideologias, professores (Kandinsky, Mayers, Gropius, Marcel Breuer, Moholy-Nagy, Ludwig Mies van der Rohe, Johannes Itten entre outros) e o legado de sua produção e design até hoje permanecem modernos e atuais. A Bauhaus sempre será o ponto inicial da análise histórica/conceitual da profissão design, pois foi nela que nossa profissão “design” ganhou forma e definição. Longa vida a Bauhaus!

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