O início do design no Brasil confunde-se como o inicio do – então chamado – Brasil Novo e da era JK. Junto com a cultura importada da década de 50, veio o Design.
Logo no começo, o design era uma profissão alheia, nascida em outras terras. Portanto, uma glamurosa desconhecida ao Brasil dos anos 50 – e hoje, em alguns lugares ainda é. Foi esse o tempo para a publicidade genuinamente brasileira ser construída – fincar bases, promover concursos, criar instituições e associações que protegem e regulamentam a atividade publicitária no País. O mesmo não aconteceu ao Design. Hoje temos quase uma centena de cursos no Brasil, várias especializações, mestrados e doutorados na área. Então, não terá chegado o momento de regulamentar?
Há anos se desconfia de um grande lobby de profissionais com formações heterogêneas que se alvoroçam quando falamos em regulamentar a atividade de design no país. Querendo ou não, estamos nos referindo a “galinha dos ovos de ouro” para escritórios de publicidade, arquitetura e jornalismo que historicamente tem desempenhado funções ligadas à área de Design. Marca é competência de designer, assim com embalagem, interface digital, ponto-de-venda. Somos técnica e artisticamente treinados para fazer Design. E um dos comentários mais vazios que já li sobre o tema é discutido, é “que afirma que o designer se acomodaria, pois ele teria reserva de mercado, que iria ser ruim para cliente porque ele sempre pagaria mais caro pelo design e não haveria concorrência justa”… É jargão, conversa para boi dormir. Não se deve acreditar nisso. Todas as profissões que passaram por regulamentação tenderam a aumentar seu prestigio e o respeito por profissionais que a exercem, respeito e conhecimento da sociedade civil e mídia.
Para que a regulamentação aconteça, não se devem adotar radicalismos em seu processo. É fato que há profissionais, que apesar de não possuir um canudo, tem talento e saber notório (e alguns casos, dezenas de prêmios). Seria extrema incoerência barrar pessoas de conhecimento comprovado em desempenhar a função de Designer. Os designers devem adotar um discurso conciliador, aglutinador e proativo a esta causa – afinal é bom para todos (!). Um dos maiores erros que vejo é tentar transformar a regulamentação em “caça as bruxas”. E cria-se um gueto entre os formados e não formados. Bom para o lobby contrário a isso.
A regulamentação é boa para o profissional e principalmente ao cliente e mercado. Valendo aqui citar alguns aspectos positivos que o design pode alcançar com a regulamentação:
1) A possibilidade de termos um teto salarial mínimo (que normalmente é estipulado por Conselhos Federais para outras profissões). Só isso já seria um gigantesco avanço no sentido de tornar a profissão respeitada por empresas de comunicação, indústrias e pelo Governo Federal;
2) Diminuição da invasão de profissionais de outras áreas no Design. O arquiteto que projeta móvel, e não casas e prédios (!). O jornalista que não escreve texto, mas é bom diagramação (!);
3) Todos trabalhariam com o mesmo custo, e caberia ao cliente escolher por portfolio qual o melhor profissional a atendê-lo (!) e qualidade seria o critério, não o preço;
4) Preço justo ao trabalho executado. Normalmente vejo muitos alunos se decepcionarem ao ingressarem no mercado de design com pseudo-profissionais de design que cobram R$50 por uma marca, quando o preço real é 50 vezes esse valor. Elaboração e adoção de tabela de preço único.
5) Maior participação do designer nas empresas no sentido da valorização e conhecimento sobre o profissional, e da clara inserção no mercado de trabalho, com sua função definida por um conselho profissional;
6) O cliente poderia denunciar o mal profissional a entidade de classe que defenderia a ética, o trabalho e qualidade do que é oferecido em termos de Design a problemas de comunicação e produtos; Itens como estes devem ser discutidos, colocados em pauta e defendidos por todos que trabalham com Design – independente de formação em Design ou não.
Enquanto brigam “formados e não-formados”, a regulamentação não vai à diante, empaca. Bom para o lobby contrário e péssimo para o profissional design.
O mercado já entende isso: temos que mudar nossa mentalidade sobre quem tem ou não o direito de fazer Design.
Primeiro ordem na casa.Depois, na categoria.
*Texto publicado no Dizair.org (Regulamentação do design já!) em 12.09.2009

1:07 on março 7th, 2010
Olá, Sou estudante do Terceiro semestre de Design Gráfico,Antes de mais nada quero agradecer a você por estar disponibilizando seus conhecimentos, estão sendo de grande valor.
Sobre o post, Realmente acho absurdo a não regulamentação da nossa profissão, o mercado já é compétitivo,e temos ainda que competir com publicitários (Não descriminando a profissão, mas cada um com seu cada qual)cabelereiros, padeiros,o filho da vizinha que sabe fazer um corte no photoshop,a questão é, onde está a valorização do estudo,teória, embasamento e pesquisa sobre aquilo que será criado?Enfim…Com relação ae ética posso citar com exemplo os médicos, cada qual com sua áreas específicas, eles indicam outros profissionais sobre determinada patologia quando não possuem conhecimento ou até mesmo quando conhecem e indicam um especialista, isso deveria acontecer em nosso meio de produção, agora claro, há pessoas sem canudo que há um talento/bom gosto no que produz,e quanto aquele que não têm essas mesmas qualificações?
Espero que isso seja resolvido,quero a minha futura profissão reconhecida, até porque querendo ou não,o designer está presente na história e já é prova suficiente para ser reconhecida e regulamentada.
Abraços.
[Reply]
15:18 on agosto 13th, 2010
Concordo plenamente com você.
Primeiro deveríamos nos unir através de associações.
Só assim teremos condições de organizar tópicos, tabela única de preços para profissionais e estagiários (é vergonhoso como os acadêmicos são explorados).
Precisamos criar uma valorização homogênea entre nós.
Como vamos organizar um projeto de regulamentação se não estamos organizados?
Sugestão:
- Para quem é designer formado e possue uma empresa, deveria obrigar seus colaboradores a se associarem a ADG ou uma associação de design regional.
Claro que para isto teriam de estar cursando graduação da área, ou serem formados, é sequencial. Já é um começo regular…
-As associações deveriam ter como projeto o envio de material para empresas que tem contrato com um de seus associados, ou que de alguma forma solicitam seus serviços.
Esse material iria conter, código de ética, tabela de preços, nossa função, objetivos, projetos e a diferença entre profissionais e amadores.
Esse material também poderá propor parcerias.
Essa ideia é um passo que irá quebrar barreira entre empresas e associações.
Dessa maneira apresentaria para a empresa seja, micro, pequena, média grande… “um pai para o filho”, uma associação para o designer.
Apresentei essa ideia para a SCDesign, espero que organizem =D
- Simpósios entre associações, precisamos de mais informações, tem de haver uma sinapse, interação maior entre os profissionais e acadêmicos do Brasil!! Temos de expor na mídia esses encontros para despertar o mercado.
Penso que como está havendo muitas opiniões para o projeto,não está havendo uma concordancia entre os profissionais. São muitas opiniões de qualidade, é mesma coisa que ter um monte de ignorantes opinando, a coisa não vai p frente!
Só que no nosso caso que temos um grau de conhecimento mais alto na profissão, precisamos organizar essas propostas.
Chega de advogado, pessoal do marketing, contador, arquiteto, jornalista, biólogos, programadores, e crianças opinarem em nossa atividade e trabalhos.
A regulamentação irá resolver isso.
Vamos acabar com a baderna! Precisamos nos unir e sermos mais ativos.
[Reply]